Amor ou obsessão?

Qual a linha limítrofe entre amor e obsessão? Difícil a resposta, o que podemos definir é aquilo que não é, para isso as definições nem sempre ajudam, afinal o conceito de amor pode estar bem escondido por traz de uma obsessão simulada.

O objeto de nosso desejo, cuidado e carinho pode ser apenas uma fixação daquilo que não conseguimos com efetividade desejar, cuidar e se afeiçoar, há uma traição inconsciente que não se permite aflorar por ser tão antinatural.

Por esta razão este sentimento não aceito conscientemente, se reproduz conscientemente sobre outro objeto. Esta é uma forma purgatória daquele que originalmente não consegue focar o objeto real de sua afeição. Por exemplo, a culpa de não fixar o sentimento ao objeto natural de nosso desejo e cuidado pode ser transferido a outro, e isto com tonalidades obsessivas, ao ponto de todo sentimento fixado no objeto não original, se transformar em algo com nuances de exagero. A pessoa nesta condição não consegue distinguir entre o amor verdadeiro e a fixação que exerce sobre o outro. Ela não vê mais nada e ninguém merecedora de seu foco. Um ídolo se instaura, de modo que nada nem ninguém a pode substituir.

Um outro sintoma que pode estar por traz da obsessão é a sublimação, ou seja, sentimentos não aceitáveis se direcionam de forma permitida onde a energia recalcada é liberada, isso funciona como uma “droga” que condiciona o individuo a perpetuar com exagero este comportamento obsessivo uma vez que lhe dá o alivio das energias conscientemente não aceitáveis.

Para não complicar, quando você não consegue manter relacionamentos saudáveis direcionando a cada objeto seu foco, pode ser que você esteja obsessionado por alguém sem o amar de verdade. Na verdade este sintoma é bem característico daqueles que não foram amados verdadeiramente.

O amor não idolatra, não é cego, não separa ou isola, é na verdade livre amplo, colocando cada objeto de seu foco no lugar correspondente, sem exageros sem privilégios. O amor é natural, não forçado, não necessita ser mostrado ou  apregoado.

Ame, mas ame de verdade!


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