Quando a religião faz mal!!!!


"Vocês estão se ajuntando para pior, ao invés de melhorar, e ainda acabarão devorando uns aos outros" (1Co 11.7 e Gl 5.15). Por incrível que pareça, essa reprimenda é dirigida, não a uma classe de irrequietos adolescentes, mas a um pequeno grupo de cristãos do primeiro século.


Parece que não mudou muita coisa de lá pra cá, e o registro dessas palavras servem de advertência para nós, ou seja, de que algo não vai muito bem quando o resultado da reunião que se faz em nome de Deus é intriga, divisão, desprezo, formação de "panelas", rancor, e perda do bom senso.... Quem assim vive pode até ser chamado de religioso, mas certamente ainda não entendeu o que é o Evangelho.

A própria bíblia descarta qualquer manifestação de religiosidade como legítima se estiver divorciada de uma vida ética: "Se alguém supõe ser religioso, deixando de refrear a língua, antes, enganando o próprio coração, a sua religião é vã" (Tg 1.26).

Quando Paulo esteve pregando no Areópago não lhe passou despercebido a religiosidade dos atenienses: "em tudo vos vejo acentuadamente religiosos" (At 17.22), disse o apóstolo. Podemos dizer o mesmo de nossa gente. Enquanto na Europa o secularismo e a indiferença são a tônica da vida, no Brasil notamos a inegável religiosidade de nosso povo. Magos, médiuns e gurus são reverenciados em nossa terra, e o nosso escritor mais lido autodenomina-se bruxo.


Somos um povo religioso, mas não exatamente uma nação guiada pelo Evangelho. Há alguns anos entrando em um táxi notei no painel à minha frente um adesivo "Só Cristo Salva". Logo imaginei estar ao lado de um fervoroso cristão. Mas quando me voltei para o motorista observei pendurado no espelho retrovisor um emaranhado de figas, guias e patuás. Sim, eu estava ao lado de um autêntico religioso tupiniquim, que à moda dos gregos, não queria esquecer nenhum "deus", por isso se dobrava a todos.

"A crença é uma estrada que não leva à fé; na verdade, as crenças atrapalham porque satisfazem a nossa necessidade de religião" (Jacques Ellul). Ou seja, o fato de alguém ser religioso, na verdade, pode ser um impedimento para encontrar o Eterno. Não será justamente a estes que Jesus dirá "apartai-vos de mim, nunca vos conheci" (Mt 7.23)?

A religião já fez muita coisa de ruim neste mundo: em nome de Deus tivemos as Cruzadas que promoveram massacres e pilhagens, em nome de Deus a Inquisição perseguiu e queimou muita gente, em nome de Deus a catequização jesuítica subjugou os povos indígenas das Américas. E neste século muitas bombas explodirão nesta Terra, seja em nome de Deus, seja em nome de Alá.

Infelizmente, loucura e religião andam de mãos dadas e em grande sintonia, pois a religião é uma ótima propagadora de diversas patologias: religiosos obsesssivos-compulsivos esforçam-se diuturnamente para cumprir rígidos rituais que a si mesmos se impuseram, e pastores histriônicos derramam-se na teatralidade de gestos e gritos para o deleite de platéias à beira de um histerismo. Não é incomum fiéis serem proibidos por psiquiatras de freqüentarem igrejas ou buscarem qualquer forma de religião, tal a gravidade das doenças instaladas.

Às vezes me pergunto o que fizemos do Evangelho, que é vida, que é água a jorrar, que é relacionamento e intimidade com Deus e toda a sua criação? Sim, o que fizemos do Evangelho? Ouso responder: transformamo-lo em uma religião sem Deus, sem coração.

Felizmente Jesus não veio inaugurar "mais uma" religião. Ele veio anunciar a Ele mesmo e a chegada do Reino entre nós. Nenhuma forma de religiosidade consegue atender às necessidades existenciais do homem: só Ele! Jesus veio para curar as vidas de suas mazelas, dar uma esperança real, nos afastar das ilusões, apontar o Caminho, que é Ele, e salvar-nos de nós mesmos. A grande pergunta, então, não é se você é religioso, mas se você é um discípulo de Jesus.
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