A Teia da Mágoa


A mágoa se apresenta como um desgosto, um descontentamento, que pode ser por alguém ou pela própria vida. Uma amargura que no sentido da palavra, nos deixa um gosto amargo pelas relações passadas, uma grande paixão que se tornou reduto de ódio e por conseqüência, o corrosivo sentimento de mágoa.
A mágoa nos deixa demasiados pesados para nos movimentar e demasiados lentos para pensarmos com lucidez, prudência e coerência. A mágoa nos enleia em suas teias como uma traiçoeira aranha, nos abocanhando repentina e plácida. Lentamente ela nos devora, jogando seu néctar que nos corrói por dentro e nos trazendo dor e sofrimento.

Buscamos respostas e soluções para a mágoa e suas diferentes implicações, assim como a absolvição, para que a mágoa seja entendida. Claro é, que esta é uma discussão complexa, ampla e difícil. Um tema que evidentemente não será esgotado, pois a mágoa é como um rio que escore como o sangue em nossas veias, impregnada como um sentimento corrente no ser humano. A mágoa é uma forma de pensar e sentir, que causa muita dor e sofrimento. Muito mais em quem a sente, do que em seu alvo. Estar magoado é como tomar uma dose de veneno, esperando que o outro morra. Um desgosto que normalmente vem e toma o lugar de um sentimento virtuoso: o amor. Alguém que pelo lugar em que ocupa deveria ser amado, de repente, por atos talvez impensados, ou que seja premeditados, escolhidos, ou imprevisíveis, é julgado às vezes sem muita lucidez tornando-se então, reduto de mágoas. Neste caso, o mais importante não foi a intenção do outro, mas a própria reação. O outro acaba por se tornar um ser humano deplorável, imprudente e desumano. Uma amargura que contagia sentimentos e acaba deixando o gosto amargo no dia a dia, az vezes chegando a perder a graça ou o próprio sentido da vida. Perdem-se uns dos outros e não querem mais se encontrar, preferindo a solidão em detrimento do perdão e da companhia. Chegando em muitos casos a arrastar essa mágoa por toda a vida.

“Meu pai era alcoólatra e quando eu era criança me batia, depois que cresci saí de casa e nunca mais voltei, não perdôo meu pai, se quer o reconheço como tal”. Um depoimento como este pode guardar muita mágoa. A dor talvez não consiste no fato de não ter tido um pai “normal”, que dê carinho, afeto e amor a seu filho. Mas sim, na incapacidade de perdoar e a intolerância cunhada e julgada num comportamento paternal não muito sadio. De forma alguma neste texto cabe a generalização. Mas é importante saber que as pessoas dentro das suas possibilidades, procuram fazem o melhor que podem. Se não fazem ou fizeram diferente, é porque talvez não sabiam. Quem sabe este tenha sido o modelo de educação que tiveram, foi a forma que aprenderam a viver e educar, por isso, repassam achando ser a melhor ou mesmo a única forma de viver a vida e ensinar alguém a vivê-la. Não estamos defendendo pais agressivos ou alcoólatras, mas sim, tentar entender o porque de agirem de tal maneira, ou seja, as causas.

Talvez alguém chegue falando, “meu pai é violento com minha mãe, espancou a mim e minha irmã até a adolescência. Hoje minha irmã está casada com um homem que a violenta, é agressivo com ela. Eu estou namorando um cara que usa drogas e é violento também”. Bem ou mal, bom ou ruim, nossos primeiros e principais modelos de homem e mulher são nossos pais. Se tivermos poucos contatos sociais, o que aprendermos em casa, isso se torna “normal”, e é desta forma que viveremos, acharemos que realmente é assim que funciona. Neste caso, os homens realmente são violentos, todos são assim e sou atraída por eles, poderia pensar. Todavia, um belo dia descobre-se que os homens podem ser diferentes. Como ficam os sentimentos pelos pais destes indivíduos? Esta é uma das formas da mágoa nascer trazendo conseqüentemente suas implicações.

Como o ser humano é composto:
O ser humano é composto de espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23) e a amargura atua no homem conforme o quadro a seguir:
                                                    
                               
No espírito.                
O pecado. A falta de perdão.      
Separa-nos de Deus naquela área. Dá direito ao espírito torturador.

Na alma(psicológico).  Cria a ferida da amargura.  Deus pode agir na cura da ferida.                                                                                           Pode existir a presença de um espírito de amargura.

No corpo                    
A amargura pode resultar em doenças físicas se não for tratada.

Efeitos físicos:

A cura da enfermidade por Deus muitas vezes depende da cura da ferida da alma.
Vejamos alguns destes efeitos somatizantes:
As seguintes doenças são freqüentemente ligadas à amargura ou geradas por ela:
Artrose: a pessoa tem os seguintes sintomas: entrave nos ossos (não se movimentam), não articulação.
Causas: falta de perdão, pecados não confessados, amargura (ver Salmos 32.1,3-4).
Úlcera: é de fundo nervoso. Os tecidos do estômago ficam irritados. A grande produção de suco  gástrico acaba acentuando o problema, criando feridas no estômago.
Causas: ira, ciúmes, inveja, amargura e rejeição.
Vesícula e rins: os efeitos sobre a vesícula e sobre os rins, com graves conseqüências, podem     acarretar a morte. As emoções são carregadas diretamente sobre os rins. No conceito hebraico     os rins    eram a sede das emoções. Sabemos da importância do bom funcionamento dos rins, porque eles filtram todas as impurezas e as eliminam através da urina.
Causas: emoções (tristeza).
Fígado: a digestão imperfeita dos alimentos pode acarretar problemas no sistema nervoso com  impacto sobre o fígado. Quando uma pessoa tem amargura, geralmente ingere os alimentos  com raiva e isso vai acentuar ainda mais os efeitos malignos acima.
Câncer: Já existem provas científicas de que o câncer pode ser provocado por traumas e por raízes de amargura e pela tristeza.
Coração: todos os problemas do coração são em função da raiz de amargura.
Efeitos emocionais:
Assim como efeitos físicos decorrem dos problemas da alma, os efeitos emocionais (da alma) decorrem basicamente do que foi causado espiritualmente, ou seja, do pecado e da falta de perdão. Por outro lado, quando as emoções não vão bem, a alma está enferma, o espírito é abalado, o que gera um círculo vicioso. A raiz do mal está no pecado (que precisa ser confessado) e na falta de perdão (que precisa ser eliminada).
Amargura
Ansiedade
Depressão
Consideremos os seguintes textos da palavra de Deus: Hebreus 12.14-15 e Tiago 3.14-15.
Estes versículos nos mostram que a amargura, decorrente da não liberação do pecado, é alimento para demônios, e ainda faz da pessoa alguém contamina os outros. É como um câncer que se alastra, prejudicando os outros, transmitindo este mal aos outros.

O processo para a cura da amargura:

O processo para a cura da amargura tem dois lados: o humano e o divino.
Lado humano: é o que só a pessoa pode fazer. Deus nada fará antes que a pessoa faça a sua parte. São elas:
Aceitar que seu problema é real. Confessar diante de Deus que tem amargura no coração e orar a respeito. Deixar que o espírito santo revele as situações e circunstâncias em que o problema surgiu, as pessoas envolvidas e o que de fato aconteceu.
Tomar a decisão de querer ser curada. Nada vai acontecer se a pessoa não quiser de fato ser curada. Não adiantará que ninguém ore por ela, ou jejue; não adiantará fazê-la passar por aconselhamentos psicológicos ou espirituais; a pessoa tem que querer!
Percorrer as etapas para a cura. Pedir perdão pelos pecados envolvidos e liberar perdão às pessoas que causaram injustiças na vida da pessoa
Lado divino: é o que somente Deus poderá fazer. E Ele fará desde que a pessoa tenha cumprido a sua parte (o lado humano). O processo básico para a cura que Deus fará dependerá então da pessoa pedir perdão (pelos seus pecados e pelos dos outros, envolvidos no problema) e perdoar aqueles que a feriram.  

Se você tem amargura e quer se libertar dela e, está firme na sua decisão, chegue-se então a Deus e abra seu coração diante dele (Salmos 51.6).
Diga-lhe:
Qual é a sua verdade? Qual é a sua história? Quem realmente você é? Qual é a sua identidade? O que você tem no seu interior? Quais são seus pensamentos, seus sentimentos, há desejos secretos no seu coração? Você tem inveja, ciúmes, inferioridade, rejeição, ódio, tristeza…
Você se conhece realmente? Você sabe quem você é, e não o que aparenta para os outros, e não quem gostaria de ser, mas de fato quem é você? Chegue-se a Deus assim!
Se eu me conheço e não conheço o Deus da graça, entro em desespero.
Se eu conheço Deus, mas não me conheço, entro em religiosidade.

Amem!


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