O que vem primeiro: a Escritura ou a Palavra?


Não é de estranhar que o pai da fé, Abraão, tenha vivido pela fé na Palavra antes de haver Escritura, mostrando-nos assim, que a Palavra precede a Escritura. A fé vem pelo ouvir-escutar-crer-render-se à Palavra. E a pregação só é Palavra se o Espírito estiver soprando. Do contrário, é só prega-ação!
E a pregação que não é Palavra, é apenas estudo bíblico, podendo gerar mais doença que libertação. A grande tentação é fazer a Escritura se passar por Palavra. As Escrituras se iluminam como a Palavra somente quando aquele que a busca tem como motivação o encontro com a Palavra de Deus. Ou, então, quando o Deus da Palavra fala antes ao coração! A Bíblia é o Livro. A Escritura é o Texto. A Palavra, É! E é Revelação! Jesus é o Verbo Encarnado! É o Espírito quem revela a Jesus como Palavra e a Palavra em Jesus.
Sem "teologia" e sem "doutrina" de nenhum tipo, a simples leitura do Evangelho nos deixa saber o que é bom para a vida, e como também se deve viver, sem que isto demande nenhuma "explicação" especial àquele que deseja se beneficiar da Boa Nova. Sim, a Boa Nova não tenta convencer à priori. Ela simplesmente diz: "Me experimente. Se você provar, você saberá que é verdade. Não antes. Não por nenhum outro modo ou meio." O convencimento da Boa Nova vem da realização do que é Bom. É simples assim. Um "Evangelho" que seja um pacote de crenças e doutrinas e uma "embalagem de Deus" segundo algumas teologias, serve muito à criação de um espírito religioso, e que se arroga a ser melhor não por causa do Bem que realize, mas em razão da suposta superioridade dos valores de conduta apregoados. "Eu vim para que tenham vida; e vida em abundância"— jamais poderá ser substituído por "Eu vim para que vocês fiquem sabendo qual é o conjunto da verdade e, assim, sejam superiores aos demais homens ignorantes". O único modo de aferição da verdade do Evangelho só acontece na vida, e não porque alguém ganhou uma discussão teológica contra um herege, mas sim pelo resultado da existência, se é plena de vida, conforme a justiça, a paz e a alegria no Espírito Santo. Desse modo, o Evangelho não tenta explicar nada, mas convida a uma confiança que é fruto de se ter tido um toque da Graça, e que se transforma numa atração, e que se entrega como rendição, gerando a resposta do "seguir" a Jesus. Assim, aquele que se entrega a Jesus não recebe um pacote de explicações, mas sim aceita seguir porque foi convencido pela experiência do bem do Evangelho, e que tocou o indivíduo de alguma forma, fazendo-o provar que o "Senhor é bom". Portanto, tal pessoa não fica preocupada em "entender Deus". Sua felicidade está em que Deus a entende. 






Marcelo Quintela
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