Vídeo de Wellington deixa pergunta no ar: quem são os ‘irmãos’ a quem ele se dirige?


Desde que o vídeo do maníaco Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de Realengo, veio à tona na noite de terça-feira, mais uma pergunta ronda o caso: quem seriam os “irmãos” a quem o assassino se refere, como se estivesse dando detalhes, justificativas sobre seu plano macabro de atacar a instituição onde ele próprio cursou o ensino fundamental?


Estão descartadas pela polícia as hipóteses de que o brutal assassinato tenha sido motivado por fanatismo religioso, ou tenha sido orquestrado por alguma seita. Mas as palavras do perturbado Wellington, por mais que soem desconexas, abalam a tese de que o ataque tenha permanecido no universo particular do criminoso. Pior que isso: surgem fortes indícios de que alguém mais pode ter conhecido, dois dias antes, detalhes do plano. 

"Os irmãos observaram que eu raspei a barba. Foi necessário, porque eu já estava planejando ir ao local para estudar, ver uma forma de infiltração. Eu já tinha ido antes, há muitos meses. Eu fui. Eu ainda não usava barba. Eu fui para dar uma analisada", diz o assassino. Nas frases, fica claro que ele mantinha contato freqüente com uma ou mais pessoas, e que o tal plano não seria algo inteiramente novo para os receptores dessa mensagem.

O assassino também comenta ter sofrido bullying na infância, mas ressalta que o crime que cometeria dois dias depois da gravação não tinha relação com isso. “A luta pela qual muitos irmãos no passado morreram e eu morrerei não é exclusivamente pelo que é conhecido como bullying. A nossa luta é contra pessoas cruéis, covardes, que se aproveitam da bondade e da inocência de pessoas que são incapazes de se defender", disse.

Na manhã desta quarta-feira, na missa de sétimo dia celebrada para as vítimas do massacre, na rua da escola municipal Tasso da Silveira, a chefe de Polícia Civil do Rio, delegada Martha Rocha, afirmou que “só a TV Globo” pode, no momento, explicar a origem e dar mais detalhes sobre o vídeo. Segundo Martha Rocha, as delegacias, cada uma a seu tempo, poderão requisitar as imagens, pois tais arquivos não constam do material apreendido pela polícia como prova, nem estava nos pertences de Wellington.

Para o bem da investigação, a Polícia Civil deve não só requisitar a gravação, mas esclarecer todos os pontos pendentes que a divulgação das imagens traz ao caso. A primeira delas, se alguém teve acesso ao vídeo antes da chacina. Quem por ventura tenha conhecido o teor da mensagem de Wellington torna-se, no mínimo, negligente, diante do recado apavorante. Segundo, quem, afinal, era o detentor dos arquivos, uma vez que computadores, sigilo e todo tipo de sinal remanescente da vida pregressa de Wellington estão, em tese, com a polícia. 

Martha Rocha, pressionada pelos jornalistas, garantiu que não houve vazamento de informações ou arquivos para a Rede Globo – uma questão secundária, diante das urgências que ainda pendem sobre a morte das 12 crianças na escola Tasso da Silveira.


Como já se sabe, o assassino mantinha contato com pelo menos seis interlocutores no programa de mensagens instantâneas MSN, no qual ele se apresentava como “Wellington Treze”. A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) já pediu a quebra do sigilo eletrônico do rapaz. A Microsoft, dona do MSN e do Hotmail, foi oficiada. A expectativa da polícia é de que a empresa informe os nomes das seis pessoas que estavam na lista de contatos do MSN dele a tempo de evitar que, como fez o próprio Wellington, os usuários apaguem os rastros em seus computadores e nos servidores desses sistemas.

Outras empresas também foram notificadas. É o caso do Google, dono do site de relacionamentos Orkut, que poderá fornecer dados contidos no perfil de Wellington, e de várias empresas de telefonia. Na terça-feira, a delegada da DRCI, Helen Sardenberg, foi até a Telemar para pedir um levantamento de quanto tempo Wellington gastava na internet.

Até o momento, os policiais tiveram acesso a, pelo menos, dois emails de Wellington. A Polícia pediu a quebra das seis contas de emails usadas pelo assassino para ver se alguma ajuda a responder as dúvidas que ainda pairam sobre o massacre à escola Tasso da Silveira.



Fonte: Veja

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