A GRAÇA COMO BUMERANGUE: O QUE VAI, VEM!


Jesus disse, “Perdoe, e você será perdoado; tenha misericórdia, e você receberá misericórdia”.
O principio operativo é que perdão É perdão; assim como misericórdia É misericórdia.
Seu perdão ao próximo é o seu próprio perdão. O perdão que você dá é o perdão que você recebe.
Assim, se você sinceramente ousar perdoar seus próprios inimigos, você pode ousar receber todo perdão, pois é a mesma coisa.


“Perdoa-nos nossas dívidas ‘assim como’ nós perdoamos os nossos devedores”.

Quem sinceramente souber que todos precisam de perdão assim como ele mesmo, perdoa até setenta vezes sete vezes o irmão que lhe pedir perdão no mesmo dia.

Esta é a única receita, também, contra a hipocrisia.
O duro é ouvir “perdoa-nos ‘assim como’ nós perdoamos”.

A medida do julgamento que eu sofro é do tamanho do meu próprio rigor no julgamento que eu faço dos outros.

Todavia, o tamanho do perdão que recebo é também do tamanho do perdão que ofereço.

Assim, se há alguém que a todos perdoe e a ninguém julgue ou fixe julgamento, esse pode andar em paz, mesmo no abismo.

É uma ilusão pensar que podemos estar em paz com os céus enquanto o nosso coração não perdoa o próximo. Nunca haverá paz em tal coração.

Precisamos saber que assim como o céu é refletido no espelho da água, assim, também, o Céu refletirá o cenário do coração.

O principio é horrivelmente simples, e a resposta está na questão:

Não seria isto uma contradição você acreditar em perdão se você não perdoa? Por que, como pode você, de verdade, acreditar em perdão, se a sua existência é uma total refutação da existência de perdão?

Assim, acusar alguém diante de Deus, de fato, significa acusar a mim mesmo.

Eu não tenho comigo o engano de que posso “abrir um caso” contra o meu próximo diante de Deus, e não esperar que o caso seja voltado contra mim.

No Caminho que Jesus ensinou o inimigo é um “ser-sagrado”, pois é na minha relação com ele que estou construindo minha relação com Deus como uma pessoa perdoada ou culpada.

Não se engane. Deus não está ao meu lado se meu coração guarda ódio e rancor. Não é possível ter qualquer relação com Deus onde a Graça que eu recebo não seja também Graça com cara de perdão que se esparrama pelo chão da terra.
O que Jesus ensina é que se eu peço a Deus que julgue alguém porque eu julgo esse alguém digno de julgamento, eu estou é pedindo a Deus que julgue a mim.

No entanto, eu sei que quando me recuso a trazer acusação a quem quer que seja na presença de Deus, em minha consciência, posso também saber que a misericórdia de Deus estará sobre mim.

Seria isto uma virtude humana, uma salvação pela virtude do perdão humano?

Sim, é pela virtude do perdão, não do meu, e nem do nenhum de nós; mas é fruto da consciência em fé, que crê na misericórdia de Deus, por isto, expressa sua fé pelas suas manifestações de graça; visto que, em assim fazendo, apenas confessa com a vida, para o mundo, aquilo que ele crê que Deus é: amor e amor, para ele mesmo.

“Aquele a quem muito se perdoa; esse muito ama”—disse Jesus.

Não há nenhuma virtude humana em que perdão É perdão; pois a Graça só abunda onde a consciência de dívida se estabeleceu como insolúvel.

Então, quem pratica a Graça para com o próximo, o faz pela fé; pois que outra garantia ele teria de que seria e será perdoado senão sua confiança na Graça de Deus?

No Evangelho a fé sem obras é morta; e também é pelas obras que se manifesta a fé; embora, também no Evangelho, a grande obra da fé seja perdoar porque confessa assim a si mesmo diante de Deus.

Todavia, essa percepção já é pura revelação da Graça.

Assim, eu só consigo perdoar porque já estou de antemão convencido acerca do perdão de Deus dado a mim. Eu só consigo perdoar se creio que Ele me deu perdão primeiro. Pois minha relação com Deus é um encontro no qual eu preciso de perdão todos dias, e confesso minha fé no perdão de Deus quando perdôo o meu próximo, melhormente o inimigo.


Caio Fabio
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