COMO PASSAR PELO VALE DE LÁGRIMAS...


COMO PASSAR PELO VALE DE LÁGRIMAS...

“O qual, passando pelo vale árido, faz dele um manancial; de bênçãos o cobre a primeira chuva...” (Sl 84:6).

A vida desenrola-se numa arena de lutas, num campo de batalhas, num vale de lágrimas; não num campo de férias ou numa estufa espiritual. Nossa vida começa com choro, é regada pelas lágrimas e dificilmente fecha suas cortinas para este mundo sem cruzar o vale de lágrimas.
O Salmo 84, verso 6, faz referencia ao vale de Baca, ou o vale do sofrimento. Nesse vale havia balsameiras que destilavam um líquido semelhante às lágrimas. Há momentos em que, na jornada da vida, descemos aos vales secos, só umedecidos pelas lágrimas que fluem dos nossos olhos. O sofrimento nos faz chorar. O sofrimento abre sulcos em nossa alma, cava covas profundas em nosso coração e abre fontes de lágrimas em nossos olhos.

O sofrimento é universal, ele e experimentado por ricos e pobres, sábios e indoutos, crianças e adultos, crentes e incrédulos. O sofrimento tem muitas causas: ele é conseqüência do pecado dos nossos pais, pode ser resultado direto de pecado pessoal ou pecados de outras pessoas que nos atingem. O sofrimento pode ser resultado de injustiças sociais, de catástrofes naturais ou enfermidades físicas. Há sofrimento físico, emocional, moral e espiritual. O sofrimento é uma realidade inegável, inexorável. Ignora-lo ou buscar formas alienantes para evitá-lo não o afugenta de nós. Buscar fontes hedonistas para contorná-lo também não o afasta permanentemente. A questão é como enfrentar o sofrimento, como transforma-lo num instrumento de aprendizado e crescimento.

Nem todas as pessoas tiram lições positivas do sofrimento. O mesmo sol que endurece o barro amolece a cera. A uns o sofrimento endurece, a outros quebranta. A uns o sofrimento produz amargura e revolta, a outros produz quebrantamento e arrependimento. Uns afastam-se d’Ele pelo sofrimento. O salmista disse que ao passar pelo vale árido do sofrimento, fez dele um manancial. Quando Deus permite o sofrimento em nossa vida não é para nos destruir, mas para nos colocar mais perto d’Ele. O sofrimento é pedagógico. Aprendemos mais na escola do sofrimento do que nos festivais da alegria.

O apóstolo Paulo diz que o povo de Deus se gloria nas próprias tribulações, sabendo que as tribulações produzem perseverança e a perseverança, experiências com Deus. O sofrimento é como o fogo que depura o ouro, só as escórias são destruídas, enquanto o ouro fica mais limpo e mais nobre. Através do sofrimento Deus trabalha em nós, esculpindo em nós o caráter de Jesus, que aprendeu pelas coisas que sofreu. O maior projeto de Deus em nossa vida não é nos fazer felizes, mas nos fazer santos. Deus nos predestinou desde os tempos eternos para sermos conforme à imagem do Seu Filho. O sofrimento é o ginásio de Deus, onde nos exercitamos a piedade; é a escola superior do Espírito Santo, onde nossa vida é transformada de glória em glória na imagem de Cristo.

Devemos olhar para o sofrimento em duas perspectivas:
Primeiro, Deus está no controle de nossa vida e está trabalhando todas as coisas para o nosso bem final. Os nossos vales de lágrimas converter-se-ão em cenários engrinaldados de belezas multifárias.

Segundo, os sofrimentos do tempo presente são temporários e tênues diante da suprema glória que Deus preparou para nós. A nossa consolação será maior do que o nosso choro. No céu todas as nossas lágrimas serão enxugadas e a dor não mais existirá. Agora temos choro, mas amanhã nossa consolação será eterna.

“Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão [6] Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes ...” Sl 126:5-6





Rev. Hernandes Dias Lopes.
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